
Ask Google Guru:
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
EX FUMO DARE LUCEM

quarta-feira, 13 de outubro de 2010
REFORMA SIDERAL

SONHOS

SORRIR

terça-feira, 12 de outubro de 2010
CITAÇÕES BÍBLICAS
O SEMEADOR DE ESTRELAS
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
AVE DE RAPINA

quinta-feira, 7 de outubro de 2010
EXISTIR É UM ETERNO POR ENQUANTO

Esse é o tempo de deixar escorrer entre os dedos
os segundos, os minutos, as horas, os medos
porque o tempo dentro de mim é muito precário
uma vez que conto ele sempre ao contrário!
O quanto me falta pra nascer de novo
se o melhor é advinhar o que há dentro do ovo?
E se eu cair, quem estará lá para aparar o tombo?
Eu salto abismos sem paraquedas só para experimentar o assombro!
Ser assim não me revolta,
pois já me acostumei ás alturas e á queda.
Nem mesmo o amor faz-me tanta falta:
compra-se disso hoje por aí com apenas algumas moedas.
Mas se eu olhar debaixo das minhas saias
e descobrir que aquela metade não sou eu?
E se de repente me volta o tal Messias
cantando um samba pra me levar pro céu?
Será que eu vou querer partir desse mundo
podendo-querendo-sabendo, eu poeta,
roubar dele, com papel e caneta,
mais um segundo?
Viver um segundo, de repente
nos braços de quem nos quer bem
é melhor que passar uma eternidade como crente
sozinho, sentado em uma nuvem, dizendo amém!
Todos julgam-me como tendo um juízo muito precário
mas eu prefiro ser assim mesmo, melhor que ser esperto ao contrário.
Não vou contar o tempo que me falta pra nascer de novo
porque pra mim esse corpo, essa existência, é só a casca do ovo!
-
terça-feira, 5 de outubro de 2010
JOAQUIM, O PADEIRO
Tive um avô postiço, vizinho de apartamento e amigo da família desde que o mundo era mundo, bom português de pele branquíssima e bigodes negros como as noites dos contos de fadas. Excelente padeiro e confeiteiro, que fez todos os lindos e imensos bolos de aniversário da minha infância, dos quais lembro-me apenas pelas fotografias em sépia guardadas num álbum antigo, esquecido numa dessas gavetas da nossa alma onde a gente pouco mexe.
Bom cristão, católico apostólico romano, torcedor do América, conhecedor dos palavrões mais cabeludos, e dos descabelados também. Nos dias de semana levava-me para a escola, eu de calças curtas de cor marrom, a camisa cáqui engomada e perfumada, a gravatinha também marrom no mesmo tom da calça e os sapatos pretos bem engraxados; minha irmã, dois anos mais nova, vestida com o mesmo esmero e nos mesmos trajes, trocando as calças curtas por uma saia de pregas, e laços de fita nas duas trancinhas. Uma criança em cada mão, e um sorriso triunfante na boca, mas principalmente nos olhos. Vovô Quincas nos levava pelo caminho mais longo, por onde poderíamos ver o comércio, as pracinhas... e colher rosas para a professora mais querida e comprar jujubas para a hora do recreio.
Meu avô era um gigante doce como as margaridas e os gatos da rua, um herói da estatura daqueles que eu via na enorme versão ilustrada da Bíblia Sagrada que uma tia nos mostrava para contar as estranhas histórias de como Jeová mandava e desmandava em seu povo, os tais escolhidos, que viviam tendo que sacrificar ovelhinhas para o seu Deus exigente, petulante e inseguro, pois fazia questão de lembrar que deveríamos amar somente a Ele, e a nenhum outro deus. Mas meu avô era dos heróis bonzinhos, como o Noé que já tão velhinho construiu a arca com a qual salvaria todos os bichinhos do planeta, em pares de namorados, até que passassem os tempos de tempestade que seu malvado deus mandou para maltratar seu povo que, com um simples gesto de amor do tal onipotente, poderia ter sido admoestado e reabilitado para uma vida melhor e mais justa.
Aos domingos, enquanto os demais estavam na missa, ele sentava-se na varanda comum aos dois apartamentos, que era na verdade um hall de entrada para cada residência, uma artéria comum aos apartamentos 105 e 107, a certeza física de que aquelas famílias viveriam sua sina comum sempre juntas. Sentava-se impávido com seu pijama de algodão, com um bolso á altura do peito e o brasão da sua família bordado com capricho. Passava a manhã sentado na cadeira-do-papai, móvel muito comum na época, destinado aos chefes da família… e tomava o seu café-com-leite quentíssimo, comia pão caseiro com manteiga e folheava o 'Jornal do Brasil' e depois o 'Meia Hora' com uma alegria circunspecta, escolhendo notícias felizes (sim, haviam notícias felizes no mundo de outrora) e passando a folha para minha leitura. Enquanto eu lia o jornal ele aplaudia, rindo da minha pronúncia claudicante e me animando a prosseguir:
- Isso mesmo, meu preto! Muito bem! Vá mostrar ao teu pai que tu já sabes ler, que tu já és um homem!
E eu ia feliz contar a novidade, enquanto minha irmãzinha enchia meu avô de carinhos, e depois o colocava como um brinquedo:
- Vovô, fica quietinho que eu vou fazer um penteado bonito!
E ele deixava-se pentear por longas sessões, e minha irmãzinha experimentava nele os mesmos penteados que fazia nas bonecas, com lacinhos de fita vermelha, amarela, azul, verde.
Meu avô dava-nos presentes demais, miudezas, é verdade, mas eram com tanto carinho que nunca ninguém conseguiu superá-lo. Dava-nos dinheiro e ensinava a gastar, levava-nos á escola, apresentava-nos aos outros velhos e nos ensinava a dar boa tarde, e deixava-nos brincar com os cães e os gatos da rua, e ensinou-me a jogar milho aos pombos e iniciou-me nos primeiros rudimentos da Política, da Filosofia e da boa arte de xingar com e sem precisão, desvendando para mim certas palavras portuguesas cujo significado mágico eu aprendia e contava aos meus amigos como quem conta um segredo ou perfaz um número circense, um prestidigitador do vernáculo.
Meu avô postiço morreu nos braços de minha mãe enfermeira numa tarde fria de outono, e deixou um vazio enorme na rua onde morávamos. Ele era o Vovô Quincas de todas as crianças do bairro, era meu Vô Joaquim, velhinho rabugento de mentirinha, cuja companhia eu preferia á das outras crianças da rua, meu mestre e meu amigo, que me deixou cedo demais, o primeiro ser humano próximo de mim que morria e me dava aquela derradeira lição, de lidar com a finitude dos corpos e com a imortalidade dos exemplos, das almas, das lembranças.
Hoje tenho mais fantasmas para chorar: minha mãe, minha avó, alguns tios, outros amigos... mas meu bom Joaquim foi o primeiro a aventurar-se naquelas terras longínquas de onde jamais se volta nem se dá notícia, e por isso escrevo sobre ele, meu primeiro exemplo de vida e de morte. Meu avô, cuja lembrança me dói demais nessas manhãs de domingo e principalmente no Natal, deixou em mim uma herança feita de aço e algodão doce, e uma saudade imensa e vontade eterna de que alguém aparecesse hoje e me batesse no ombro e dissesse sorrindo:
- Isso, meu preto! Muito bem, muito bem!
SUPERFÍCIE
OLHOS NEGROS
QUANTO VALE
sábado, 2 de outubro de 2010
MAL SECRETO
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
UM VILÃO

A MUSA DO MEU FADO

nunca teve a culpa completa.
Nunca fui de fato seu namorado
mas hoje sou seu poeta.
e me escondo, ou a persigo, ou apenas choro sozinho.
Se de todo sofrimento um anjo em sonhos me contasse
mesmo assim eu escolheria cruzar o teu caminho.
sempre tão educada e gentil…
nas tuas mãos sou gado marcado
sou lobo vestido de ovelha no covil.
na hora mais feliz da minha vida.
Desejei ser o príncipe consorte
mas fui apenas uma criança aborrecida.
e de longas despedidas tecí meus poemas…
desculpe, mas é que lembrar dos olhos teus
faz-me amar essas dores maiores por lembranças tão pequenas.
é com sinceridade que mil vezes te peço desculpas.
Compartilho com Adão os mesmos lamentos
após ter provado de Eva a deliciosa fruta.
O SORRISO DO VÔ VICENTE
Vô Vicente morreu num domingo
sentado na cadeira de balanço
olhando brincar ao longe na campina
suas netinhas, belíssimas meninas.
Vô Vicente morreu dormindo
dizem até que estava sonhando.
Colocaram-lhe o terno branco
como manda a tradição.
A algibeira, a bíblia velha e o facão
foram juntos com o corpo no caixão.
Vô Vicente morreu sonhando
olhando de olhos fechados
aquelas terras beijadas de orvalho
e aqueles campos abençoados
por anos do mais duro trabalho.
Vô Vicente morreu num domingo
ereto como um coronel na cadeira de balanço
e com mão firme pra não deixar cair a xícara de café
porque era homem cristão, sério e forte
e não se deixaria envergonhar pelos truques da morte.
Vô Vicente morreu dormindo.
Vestiram-lhe o terno branco
como era de costume naquelas terras
vestir o morto com roupa de ir á missa
e pendurar-lhe no peito medalhinhas de santos
e medalhões de guerra.
Vô Vicente morreu segurando
a caneca de café quentinho e amargo.
Os homens da casa o banharam e vestiram
como era devido ao seu cargo.
Rasparam-lhe a barba centenária
para melhor apresentar a figura mortuária.
Vô Vicente morreu num domingo
e a família grande veio da capital
já engolindo soluços e lágrimas de sal.
Vinham carpindo o morto sem nem tê-lo visto
(cantavam o Birim-Birim como previsto)
Mas ao ver o velho ali deitado
o povo todo se calou consternado.
Depois de banhado, barbeado e arrumado
puderam ver que com a cara limpa
sob as saudações de tiros e sinos
Vô Vicente estava era sorrindo
e tinha o sorriso bonito de um menino.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
O FOGO OLÍMPICO

quarta-feira, 15 de setembro de 2010
TEZ

segunda-feira, 13 de setembro de 2010
O SEMEADOR DE ABISMOS






