Quantos sorrisos não recebemos por medo de sorrir primeiro. Quantos carinhos o tempo apaga porque a tua mão não teve a coragem de ser a mão que afaga. Quantos amigos, quantos amores você perdeu por que escolheu rogar praga, quando poderia ter pedido desculpas, quando poderia ter dito um simples "obrigado". Quanto mar, quantas ondas, quantos horizontes ficaram para trás, porque você não aprendeu a nadar, com medo de que o oceano te levasse embora a vida, quando viver, no fim das contas, é estar sempre de partida. Quantas coisas perdemos por medo de perder, quantas coisas não somos por que estamos apenas fingindo ser. Por que o que vive de verdade simplesmente acorda e vai vivendo, enquanto quem fica parado na vida, é o que acorda, senta na cama e fica pensando, pensando, pensando, e morrendo.
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terça-feira, 8 de maio de 2012
CAMINHANDO
Quantos sorrisos não recebemos por medo de sorrir primeiro. Quantos carinhos o tempo apaga porque a tua mão não teve a coragem de ser a mão que afaga. Quantos amigos, quantos amores você perdeu por que escolheu rogar praga, quando poderia ter pedido desculpas, quando poderia ter dito um simples "obrigado". Quanto mar, quantas ondas, quantos horizontes ficaram para trás, porque você não aprendeu a nadar, com medo de que o oceano te levasse embora a vida, quando viver, no fim das contas, é estar sempre de partida. Quantas coisas perdemos por medo de perder, quantas coisas não somos por que estamos apenas fingindo ser. Por que o que vive de verdade simplesmente acorda e vai vivendo, enquanto quem fica parado na vida, é o que acorda, senta na cama e fica pensando, pensando, pensando, e morrendo.
OLHOS DE FACA
Na noite muito densa
precisei respirar areias em tempestade
fechar os olhos e deixar me guiar a saudade
porque já me acostumei a respirar fogo
saltando muros para brincar com os lobos
escapar de becos muito escuros
esconder meus caninos
e fingir-me de bobo.
fui ganhando caminho
sozinho como quem não pensa
poder cair em armadilha
ou pisar qualquer alçapão.
Adentrei teu quarto
e esperto, com olhos de faca
joguei-me sobre o teu leito
e deixei minhas lâminas descansarem
nas profundezas do teu peito.
- Parceria poética de Thamar de Araújo e Marcelo Sousa.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
QUID PRO QUOD
A mão que lava a outra, de outrem,
e a culpa rolando nos trilhos anuncia: ele vem!
Com a barriga de metal cheia de culpados,
o abdômen do bonde enfastiado.
Lava minha mão que eu lavo a tua!
Mas o cheiro bom do pecado não desencrua.
Quero saber da tua vida, tua espinhela caída.
Já sei a hora da chegada, falta-me a da despedida.
Desmesuro-me, por ser anão
tendo o mundo na palma da mão!
Sou pequeno, comungo com os deuses,
mas só ao apagar das luzes.
Quer saber da minha vida passada?
Nem eu sei se o que passou é da minha alçada.
Meus ossos ignoram (bendita ossada) o que a carne
traz de mágoa e bendizer. A carne não promulga o cerne!
Não acho tua mão, mas teu peito faz barulho no escuro
e tudo é fastio e tesão por trás desses muros.
Quiprocó, dizem os corpos, pedindo recíproco deleite:
mas quem tem a alma maior que o corpo, observa apenas, como enfeite.
Vê círculos, auréolas, todo circo precisa de um palhaço
mas se não tenho tintas pra pintar meu rosto, como faço?
Serei domador de leões, desafiarei de peito nu todas as feras
enquanto a menina bonita na platéia pela tragédia espera?
Não te encontro, onde estás que não te vejo?
Galante domador de corações, palavras e desejos...
Minhas orações são para ti, pecador
porque quero pecar junto, com ardor!
Com ardor, com amor
mas devagar com o andor!
Deve ser como a primeira vez que se anda de bicicleta
subir ao picadeiro, estar entregue à mãos firmes do poeta.
Quiprocó, minha querida,
pois disso dependerá nossa vida.
Te contarei baixinho nos ouvidos os meus truques
e tu ouvirás os cantos gregorianos e os africanos batuques.
A mão sozinha não se lava, só leva
de um lado para o outro o facho de luz que será logo treva.
Lava minha mão que eu lavo a tua: façamos o quiprocó
antes que o laço do tempo puxe a corda e dê um nó!
- Poesia colaborativa de Marcelo Sousa e Thauan Raposo.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
UM COPO DE CÉU CHEIO DE MAR
De sorrisos e lágrimas
imprecisos azuis e coruscantes magmas
fazemos ninhos nos sonhos um do outro
onde a eternidade, esse piscar de olhos, ainda é pouco
porque minh'alma transborda quando encontra o seu olhar:
esse lindo copo de céu cheio de mar.
domingo, 8 de abril de 2012
NÃO QUERO SER O PRIMEIRO A CHEGAR
Vetustos senhores
cujas barbas brancas
e a cabeça platinada
não adicionou-lhes em honra e sabedoria
quase nada.
Venusta figura, vetusta criatura
cuja pobre caricatura
lembra muito de longe
aquele que antes fora
mas que hoje encontra-se gasto
por assim dizer, velho
ainda que o que insista em ver
é uma criança no espelho.
Mando-te lembranças
e espero que teus restantes dias
sejam de tranquilidade, de quietude
mesmo que teu cenho torpe
e sua têmpera muito rude
atrapalhe ouvir os pássaros
na alvorada.
Eu e você nos olhamos, somos símiles,
partilhamos o destino humano na mesma estrada.
Porém tua vantagem, ou tua fraqueza
é que tu estás muito á frente, és vencedor,
e com terror verás que vencer é não mais existir.
Fruta madura demais na árvore
não tem outro destino senão cair.
Aceno-te, irmão, que daqui há pouco chegará
sorrindo, bonachão, fazendo troça,
gesticulando solenemente como um palhaço,
seguindo sempre em frente, veloz e audaz
como um cego cruzando a linha de chegada.
Eu, pobre e tolo, ainda estou de saída:
começo agora a viver esta vida!
quinta-feira, 29 de março de 2012
TEU PÃO
E quando acabarem as moedas de ouro,
Farei pra você casacos de pele,
Rasgando meu couro.
E quando não sobrar mais vinho
Te darei de beber na fonte, gozando
E gemendo baixinho.
E quando faltar o ossobuco, o cordeiro e o faisão,
Olha pra mim: para beijar, morder, consumir...
Serei teu pão.
PERSISTÊNCIA
O tempo resiste.
A carne insiste.
O tempo persiste.
A carne existe.
O tempo e a carne combinam.
Mas nem sempre rimam.
O tempo e a carne ruminam.
Um quer mandar, o outro já domina.
O tempo sempre cobra.
A carne, às vezes, sobra.
O tempo sempre cobre.
A carne, quase sempre, é pobre.
O tempo faz a carne sentir.
A carne faz o tempo existir.
O tempo é o ensejo.
A carne, só desejo.
O tempo é o olhar.
A carne é o beijo.
O tempo é Deus.
A carne sou eu.
Mas se Deus não existe,
porque a carne insiste?
O tempo é o karma?
O tempo é a calma?
A carne é uma arma?
Dentro da carne mora a alma?
O tempo é religião.
A carne é o pão!
O tempo a tudo consome.
O pão nem a todos sacia.
Nem só de pão viverá o homem:
há de se ter paixão e poesia!
sábado, 18 de fevereiro de 2012
FREUD EXPLICA?
Muito ego.
Pouco sossego.
Mulher vestida de menina,
Mas por baixo da pele a alma não rima.
Feios modos de uma pobre menina rica.
O teu problema, nem Freud explica.
O ENCARCERADO
Talvez amar de verdade seja tudo o que preciso.
Mas que homem está preparado para cumprir prisão perpétua no paraíso?
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
MITOCÔNDRIA
És uma deusa de morte e vida
como se tu, divina organela atrevida
fosses ao mesmo tempo Shiva, Brahma e Vishnu.
Tens a forma da semente primordial, o grão cru
que germina de fora para dentro, inteligente
simbiótica dona de casa, zeladora dos eucariontes.
Em tua cama de vilosidades e tecidos tão rugosos
queimam como numa panela os afetos mais gostosos
as flores de açúcar dadas com carinho e como oferenda
são o teu combustível, que nos devolve como santificada merenda
que o corpo vai precisar a cada minuto de cada santo e glorioso dia
para sobreviver, andar, correr, lutar, crescer, amar, e escrever poesia!
- Só para provar que as nossas antigas aulas de Ciências também podem render poesia. Dedico esse poema aos meus bons professores de Biologia! :)
domingo, 29 de janeiro de 2012
PERANTE TUA FACE
Senhor dos meus dias, Senhora das minhas noites.
Que eu suporte com igual ânimo os teus carinhos e os teus açoites.
Senhor das profundezas, Senhora de todos os céus.
Que eu possa vislumbrá-los face-a-face, ou com seus véus.
Senhor das minhas lágrimas, Senhora do meu sorriso.
Que em tuas mãos nunca esteja o que quero, mas o que preciso.
Senhor do meu medo, Senhora da minha luz.
Que eu seja mestre do que me eleva tanto quanto do que me reduz.
Senhor dos meus vitupérios, Senhora das minhas preces.
Que eu seja sempre o mesmo homem, mesmo longe da tua face.
Senhor dos meus tormentos, Senhora do meu gozo.
Que minhas mãos sejam artefatos de atos terríveis e maravilhosos.
Senhor dos meus poemas, Senhora dos meus versos.
Que eu seja poeta hoje e sempre, a despeito do Bem e do Mal do universo.
Senhor da minha razão, Senhora dos meus amores.
Que meu peito nunca esteja anestesiado para qualquer que sejam as dores.
Senhor dos céus e dos trovões, Senhora da terra e do fogo.
Que meu eu saiba estar tranquilo e alerta entre as ovelhas e os lobos.
Senhor do tempo, Senhora do tempo. Donos da minha paciência.
Que eu saiba rugir como homem, e sentir como criança.
Senhor do Tempo, Senhora do Tempo. Perante a tua face, neste longo inverno
Que eu aceite que a carne é finita, mas o que há de mágico fluindo nas veias do poeta...
Isso é eterno!
O QUEBRA-CABEÇAS
Sei o que presumo,
Mas assumo que nada sei.
Sou nefelibata, sem chão.
O que tenho de você
Foi construído com imaginação.
Mas tudo tu me confirmastes, C
Mas tudo tu me confirmastes, C
omo seu eu fosse um prestidigitador,
Sagaz advinhador do que é alegria,
Sagaz advinhador do que é alegria,
Do que é carne, do que é alma, do que é dor.
Provei os vãos do teu corpo,
Provei os vãos do teu corpo,
O mel sorvi diretamente na colmeia.
Descobri que trocamos de pele quando não há plateia.
Talvez seja mesmo assim, tateando, experimentando, intuindo.
Talvez seja mesmo no escuro que se juntam as peças do amor.
Descobri que trocamos de pele quando não há plateia.
Talvez seja mesmo assim, tateando, experimentando, intuindo.
Talvez seja mesmo no escuro que se juntam as peças do amor.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
DAS UNHEIMLICH
O oposto do que me é familiar
é o que nasce quando meu silêncio quer cantar
ou quando chorar é o que mais preciso
e contudo meu rosto ergue o mais belo sorriso.
Meu íntimo-estranho,
o quanto menos te quero aprisionar, mais te ganho.
Sinto-te passear por dentro de minhas veias lentamente
enquanto gozo ao sentir tua estranheza inquietante.
É tudo tão apreciável que chega a dar medo:
sou criança que receia tomarem-me o brinquedo!
Mas sei que é pelos caminhos mais perigosos
que chegarei aos jardins mais lindos, às frutas mais gostosas.
Ó escuridão! Sabes o quanto tenho medo de ti!
Mas com as luzes acesas não poderei dormir.
E dormir é condição imperiosa para poder sonhar.
As luzes ficarão acesas, mas meus olhos com força irão fechar!
Tão familiar é esta estranheza
de encontrar no oposto tanta beleza
que ao fugir de todos e querer ficar sozinho
meus pés dizem-me que estou pisando os mesmos caminhos.
Vejo criaturas estranhas e caio perante elas de joelhos
mas perplexo descubro-me seu irmão ao olhar-me no espelho.
O que fazer? Para onde ir? Sinto que o tempo aperta o laço!
Resta-me beijar a boca do Destino, e deixar-me descansar em seus braços!
domingo, 8 de janeiro de 2012
DEUS - AO GOSTO DO FREGUÊS
Uns dizem AXÉ, outros dizem AMÉM.
Deus, confuso, pergunta: Estás falando com quem?
Mas os palhaços continuam a misturar seus rotos ritos
fazendo uma colcha de retalhos, costurando pecados aflitos.
Como raposas muito espertas eles querem agradar a todos
adotando um pedaço de cada religião, dizendo ter bons modos.
Mas de vez em quando um se estranha com o outro
e nas guerras santas os que sofrem não são poucos.
No bolso esquerdo um terço, um crucifixo, um rosário,
no direito haverá um patuá, uma guia, um escapulário?
Copo com água e olho de boi dentro, no chão, atrás da porta
e do copo de pinga uma golada para o santo é o que importa.
Acordam dizendo SHALOM, dormem cantando EVOÉ:
sabem a hora certa de citar Abraão, Buda, Tupã, Ogum e Maomé!
Tem tantos deuses pra gente amar que ficou difícil lembrar seus nomes
por isso já inventaram até programas para rezar via iPhone.
Joga flores no mar, que Iemanjá abençoa, dá paz e luz
e depois, à meia-noite, lembram do Cristo pregado na cruz.
Eu vejo e não acredito em tantos doutores em todos os cantos
beijando a mão do padre de dia, e de noite a mão do pai-de-santo.
Nessa vida tumultuada o povo quer se valer por todos os lados,
porque não faz mal ter fé, sem esquecer de trancar a porta com cadeado.
É como os árabes dizem num provérbio tão belo:
'Confia em Deus, mas amarra o teu camelo!'
Enfim, todos se entendem, do mais pobre ao bom burguês
em nossa terra a religião é comprada ao gosto do freguês.
Debaixo das lonas azuis deste imenso circo de almas
não quero tomar partido, ficarei na platéia batendo palmas!
Alaistar Crowlei criou uma igreja do diabo, só pra comer as meninas,
enquanto um coreano criou a igreja da Ciência, onde não cabem rimas.
Como diria Raul Seixas, que dos sábios e dos loucos era rei:
"Faz o que tu queres, pois há de ser tudo da Lei!"
sábado, 31 de dezembro de 2011
FELIZ MINUTO NOVO
FELIZ MINUTO NOVO!
Escrevo a vocês às 17:00hs no Rio de Janeiro, Brasil. Em metade do mundo o ano de 2011 já é finado, e 2012 foi e está sendo comemorado efusivamente.
Na Austrália, Nova Zelândia, Hong Kong, Japão, Indonésia... já é Ano Novo! Enquanto nós, aqui do outro lado do mundo, ainda estamos pensando no que fazer, nos planos para o próximo ano, no que vestir, em que festa comparecer, se vamos beber muito ou pouco, se vamos beijar aquela pessoa, se vamos ligar para aquela outra, se vamos ter coragem de contar aos nossos pais aquele segredo que todo mundo já sabe, menos você!
As pessoas fazem planos, decidem que vão mudar, fazem promessas aos deuses, compram roupas brancas, esperam ansiosamente o momento em que o relógio, essa coisinha ínfima que você carrega no pulso, marcará o começo da sua nova vida!
Isso já aconteceu hoje para milhões de pessoas e nada mudou. A crise financeira, as guerras, a política internacional, tua conta bancária, o teu DNA, o teu endereço, o preço do arroz e do feijão, o preço do pão continua o mesmo.
Nada mais idiota que deixar que os ponteiros do relógio decidam a sua vida!
Em metade do mundo o novo ano já começou, e você ainda está aí fazendo promessas e esperando o milagre acontecer! Mas o milagre é você! O tempo não tem nada a ver com a tua existência. Ele passa, você passa, cada um no seu passo.
Eu gostaria de propor a você que comemore cada segundo, cada minuto. Que cada respiração sua seja um sussurro dizendo "Muito obrigado! Eu venci!". Por que é exatamente isso que acontece, você vence a cada segundo da sua vida! Se ainda respiras, agradeça! Não espere que a mudança do ano te traga luz. Brilhe você! Seja você o modelo de tudo aquilo que tu desejas. Seja você o espelho de tudo o que te seduz.
Seja honesto, paciente, coerente, forte quando for preciso ter força, tenro quando for preciso ternura e carinho. Saiba aproveitar a vida quando tiveres companhia ou quando estiveres sozinho. Ouça os mais velhos, mas com ressalvas, porque idade pode ser sinal de experiência, mas não de sabedoria. Não tenha medo de pedir desculpas, de pedir perdão. E não tema ser duro quando necessário. Teu caráter é teu escudo. Se te livrares dele, o mundo te atacará sem piedade, sabendo que estás descuidado.
Mude de idéia quantas vezes for necessário, pois somente os tolos são arrogantes o suficiente para não mudar de idéia, mesmo sabendo que erraram. E trabalhe, trabalhe muito. Viver não é fácil. Nunca vai ser. Dependerá de você decidir como vai enfrentar e desfrutar o dom da vida.
Existem tantos deuses e tantas religiões, que seria imensamente inconseqüente ser um fundamentalista, tomar partido, brigar por causa das crenças dos outros. Os deuses que se virem, eles que se definam, eles que decidam quem existe e quem não existe, quem é e quem não é. A você, cabe apenas a fé!
Os deuses são tantos, que fica difícil escolher. Todas as religiões tem seus dogmas, suas regras, suas restrições, suas bênçãos e suas maldições. Mas no fim das contas todas são unânimes em dizer: quem decide sua vida é você!
Não culpe os astros pelo teu fracasso ou tua vitória. Só você tem mãos, vontade, determinação e capacidade para viver cada minuto que lhe foi dado. As estrelas, que nós vemos brilhar no céu toda noite... muitas delas já morreram, deixando uma luz que nos chega já muito atrasada, e não nos serve para nada, nada além da contemplação romântica, para a inspiração filosófica, e nada mais.
O universo segue seu rumo independente da tua vontade. Teu lugar é aquele que você escolher. Teu futuro depende do teu esforço, e não da conjunção de signos, símbolos, nada disso!
Tua existência é tão importante quanto a de uma estrela ou a de uma formiga. Viva com fé em você, principalmente. Aceite a vida, aceite a briga!
Você pode esperar a meia-noite na tua cidade (Acho que no Brasil temos 3 fusos, lembra?) para decidir parar de fumar, de beber, ser vegetariano, assumir sua sexualidade, pedir demissão do emprego, fugir de casa, gritar por liberdade... não interessa. O tempo continua seguindo independente da tua preguiça ou da tua pressa!
Sê modesto, mas não servil. Saiba colocar o preço certo no suor do teu rosto ou na maestria do teu intelecto. Saiba repreender o mal, e também ouvir quando apontarem teus erros. E sobretudo entenda que em qualquer situação, seja de alegria ou de tristeza, nunca é conveniente derramar gritos e berros.
Seja mestre do teu destino! O teu relógio não é teu dono! A cada minuto da tua vida você pode comemorar, abraçar quem estiver por perto e desejar "Feliz Minuto Novo!", ou mesmo que estejas sozinho, comemore a tua vida, os teus mandamentos, as tuas verdades.
Tens a liberdade de comemorar agora ou mais tarde! O tempo urge, mas não faz alarde!
A tua conta bancária segue intacta, seja no azul ou no vermelho. O teu corpo continua igual, gordo ou magro, novo ou velho. As pendências do trabalho te esperam na segunda-feira. E se estiveres desempregado, continuarás sem eira nem beira. O teu trabalho, a tua vontade, a tua liberdade é que definirá o teu futuro. Mudar de ano não é como saltar um muro! A planície é ampla, ainda há muitas léguas a correr!
Quando teu relógio mudar deste ano para o outro, quando ele trocar de hoje para o outro dia, espero que tu estejas entre os seus pares, espero que comemores com alegria. Mas mesmo que estejas, como eu, sozinho, lembra que é você quem define e quem traça as curvas e as retas do teu caminho.
Comemore agora, ou espere a meia noite virar. Seja educado, adote o costume dos demais, sem ser rude, sem ser bruto. Mas no próximo ano, lembre-se de comemorar igualmente a tua vida a cada minuto!
Pax hoc domui.
- Marcelo Sousa, 2011/2012.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
CUMPLICIDADE
Cúmplices
como o sol e a lua que não se tocam
mas um ao outro no momento propício se evocam
somos os que se amam com delicada sabedoria, sem pressa, sem rompantes:
como o sol e a lua que fazem amor à distância, um de cada lado do horizonte.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
O TRIVIAL
Não venha me contar de heroísmos, de grandes feitos,
de porres homéricos, de amores feéricos, de viagens á America.
Não cantes teus poemas da alcova, versos de malandro ou marginal.
O que me interessa é aquela paz da rotina, a rima cotidiana,
a pitadinha de sal que nos faz mais gostosos, posto que mais humanos.
Quando me pega pelas ancas, lavando louça molhando o seio
de porres homéricos, de amores feéricos, de viagens á America.
Não cantes teus poemas da alcova, versos de malandro ou marginal.
O que me interessa é aquela paz da rotina, a rima cotidiana,
a pitadinha de sal que nos faz mais gostosos, posto que mais humanos.
Quando me pega pelas ancas, lavando louça molhando o seio
que se entumesce com a água fria e seu toque,
ajoelhando-me pra recolher do chão, tudo que derrubamos na ânsia,
ajoelhando-me pra recolher do chão, tudo que derrubamos na ânsia,
não resisto à ocasião...o teu roçar quase imperceptível
derrama um calor incrível, enquanto mexo meu caldeirão,
essas coisinhas de cama, banho, cozinha, essa vidinha gostosa
essas coisinhas de cama, banho, cozinha, essa vidinha gostosa
de cabelos desgrenhados e calça de moletom. Você sem vergonha, eu sem batom
no meio da tarde, trocando carícias, cantando qualquer música brega e fora do tom.
Conta-me a tua vida banal, porque é assim que te quero.
Muito esmero, muito cuidado, muito cálculo... tudo muito artificial.
Viva a banalidade, porque é no trivial que a gente descobre quem é genial!
no meio da tarde, trocando carícias, cantando qualquer música brega e fora do tom.
Conta-me a tua vida banal, porque é assim que te quero.
Muito esmero, muito cuidado, muito cálculo... tudo muito artificial.
Viva a banalidade, porque é no trivial que a gente descobre quem é genial!
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
AS COISAS RASAS
A sua medida
é a medida das coisas rasas
das coisas que cabem apenas nas casas dos teus botões
das coisas que podem ser descritas por tuas retinas
das coisas que só podem caber nas mais fáceis rimas
porque a sua pobre medida vigente
é a medida usada por toda gente
medida viciada, traçada de joelhos
medida que não sabe nada da imaginação dos poetas
que não cabe na avaliação científico-imaginária-aleatóri
que faz possível medir o tamanho dos gametas e dos planetas
e a velocidade estimada da luz e a data de nascimento do homem
que sem tempo para arrependimento teve que morrer na cruz
("Eli, Eli! Lamná sabactani?") E não houve resposta alguma dos céus
que tinha mais o que fazer: o tempo observa impassível, ao léu,
enquanto a tua triste e corrompida medida
não corresponde à metade de um segundo da minha vida
mas ainda assim deixo-me à mercê da tua régua
e meu corpo diminui-se sem dó, sem trégua
a sua medida da minha e da tua vida
cabe apenas dentro daquilo que tu vês no espelho
e é somente por isso, por causa dessa tua medida
é que estamos parados, boquiabertos,
ficando velhos.
Marcelo Sousa, em "O Semeador de Abismos", 2011.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
A DAMA SILENCIOSA
Dama da noite, cujo cheiro causa náusea e pavor,
Não venha silenciosa roubar-me o calor.
Se tiveres que vir, que venha rude e furiosa,
Não minta, sendo pérfida e silenciosa.
Não tenho me cuidado direito,
Mas a todos digo que sim,
Pois o desfecho perfeito deste poema
Pois o desfecho perfeito deste poema
Seria com o lírio branco e a fita negra de cetim.
Dama da noite, cujo perfume todos evitam,
Deixa-me queimar esses versos,
Dama da noite, cujo perfume todos evitam,
Deixa-me queimar esses versos,
Vê como são lindas as chamas que crepitam.
Não venha pelas sombras como uma ladra
Pois te espero sem escudo nem espada.
Não tenho me cuidado direito,
Não venha pelas sombras como uma ladra
Pois te espero sem escudo nem espada.
Não tenho me cuidado direito,
Mas a todos digo que sim,
Porque meu peito quer parar de doer,
Porque meu peito quer parar de doer,
E meus versos precisam de um fim.
domingo, 27 de novembro de 2011
A OSTRA E O VENTO
Preenche-me com teu sorriso,
teu corpo, tuas vontades,
tua força e tua fragilidade.
O teu perfume e os contornos da tua boca
e a forma com que você tira os cabelos da frente do rosto...
Ah, que delícia! Que delícia!
Eu observo, de longe,
como um monge
contempla a lua
mas queria observar-te de perto:
poeta, esperto, queria observar-te toda nua
mas tua concha de madrepérola flutua
no mar dançando ao sabor do vento
ao sabor das marés, eu catando conchas
ajoelhado aos teus pés, perverso
querendo abrir-te não com faca
mas com a aguda ponta dos meus versos
mas tu resistes, não te abrirás facilmente
àquele que simplesmente chegar sem saber a senha
a palavra mágica que a brisa sussurra
por baixo da saia do tempo
eu, poeta, esperto, passo as noites atento
porém fraco, confesso, estou faminto
para saber o que esta concha guarda por dentro!
- Marcelo Sousa, Cadernos Particulares.
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