Ask Google Guru:
segunda-feira, 31 de maio de 2010
HOMO SUM
Meus gametas
seus profetas
meus planetas
seus poetas
minha caneta
suas teclas.
Minhas rimas
tuas ruínas
meu corpo
teu porto
meus sinos
tua sina
meu rubor
teu calor
minha vontade
tua maldade
meu céu
teu véu.
Palavras
se encaixam
mas os corpos
não.
É preciso
ir mais baixo
e fazer certa
fricção.
terça-feira, 4 de maio de 2010
FOTOGRAFIA
O nariz típico do Mediterrâneo,
aqueles cabelos finos sobre a desnuda nuca,
no corpo marcas de um fogo subcutâneo,
o sambinha miudinho e muito discreto
que deixa o poeta surpreendentemente ereto,
a voz tímida e meio rouca,
a conversa típica dos gênios e dos loucos,
os gestos contidos, mas com mãos fortes,
os seios pequenos, mas convidativos,
o colo que convida ao nascimento, ou á morte,
o jeito de olhar como quem não está olhando,
o jeito de tocar como quem mal está sentindo,
o jeito de andar como quem nem está caminhando
o jeito de sorrir como se fosse o mundo que estivesse sorrindo
a forma com que te vejo sem descobrir se és menino ou menina,
a forma que te mostras, deixando impossível encontrar a certa rima,
assim és, amiga e súbita companhia de sonho e de poesia:
és um sol em alta noite, és a lua em pleno dia!
quinta-feira, 29 de abril de 2010
FERNANDA
Chico assoviava feliz
a tristeza da sua Beatriz.
Jobim, com a palavra clara e precisa
fez eterna a sua Luíza.
Eu, que em minha alma já não sei quem manda
queria escrever sobre uma tal Fernanda.
Talvez protegê-la sob outro nome:
Renata, Erika, Mônica, Fabrícia, Ludmila, Carol...
Mas o amor só abrasa, não consome.
Eu sou fósforo, tua lembrança é álcool!
Não pretento ser um Buarque de Hollanda
para reinventar a incontestável Fernanda.
Não queria ser um Tom ou um Vinícius
para contar como ela domina minhas virtudes e meus vícios.
Deus dá, mesmo quando tira.
Levou-me o amor. Deixou-me a lira.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
ALTAR PARTICULAR
No meu altar particular
não há lugar para redenção.
Todos os salmos que posso cantar
são juras de amor em vão.
Com quem posso reclamar
se teus mal-feitos são permitidos pelo próprio Deus?
De que me vale o Sol imenso sobre o mar
se à noite não me guia o farol dos olhos teus?
Tu, que só querias algumas moedas
em troca de um toque em tua carne mesquinha.
Tu, por quem choro em segredo
deixou-me o triste vício de amar sozinho.
Quero esquecer do teu rosto,
mas poderia descrever com minúcia as tuas curvas.
A tua persona é vil e pobre: banquete sem gosto...
mas teu corpo e o meu são como a mão e a luva!
Anjo, eu queria te dar um nome,
mas tu não mereces.
A você dedicarei apenas
poemas, punhetas e preces.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
RELEVO OCULTO
Isto, aquilo, ela ou ele:
são apenas máscaras que ao corpo a alma empresta.
Mas na penumbra tudo o que resta
é o relevo de tantas vontades tatuadas em nossa pele.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
ONDE MORA O AMOR
Onde mora o amor?
No coração com sua musculatura ereta
ou entre as sinapses contorcidas de dor
no cérebro sombrio do poeta?
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