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quarta-feira, 11 de maio de 2011

PEQUENOS DILEMAS DOMINICAIS (2)





Quero, mas não posso.
De espuma são feitos meus ossos.
Pra sempre, pra mim, é sempre muito pouco.
Jamais me passei por gênio nem precisei fingir-me de louco.


Tenho mãos que sabem os mais perfeitos carinhos,
mas meus gestos dizem ao mundo que quero estar sozinho.
Toda dissonância me alivia. Toda confusão me anima.
Mesmo assim teimo em perseguir a correta rima.


Eu poderia ser feroz, pois tenho músculos e astúcia,
mas meu juízo me faz sempre parecer um bicho de pelúcia.
Meu corpo pede, minha alma refuta.
Doar aos pobres ou gastar com as putas?


Não vou à missa; jamais provei uma hóstia.
Mas Deus nunca deixou-me com perguntas sem resposta.
Certo filósofo disse que ter angústias é ser inteligente.
Mas o poeta tem o peito em chamas e o coração dormente.


Escrevo sem rumo, como quem caminha certo por vias tortas.
Somente os espinhos podem garantir que minha carne não está morta.
Creio que é possível sofrer no paraíso, entre anjos e flores.
A você dedico esses versos, alimentando tuas alegrias com as minhas dores.

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