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domingo, 3 de junho de 2012

VERSOS BRANCOS





Permite a permuta, dúbia troca. Caldeira cama, abrasava falha, pele crua tosta, braço curvo, gemido tropeço, olho umbigo, mágico e restrito. Afunila tua inércia, não segreda tua paz, não confessa tua luz. Não engana. Traga, venha. Vem a ter aqui, por baixo do algodão, deslizo melhor sem fome. Vinho barato, alma barata? Insetos cãibra...


E por todo lugar encontro um encaixe, e sigo debaixo de chuva, de aceso facho, borracho à caça de vulvas. E não me venha com filipetas, pois apostrofá-lo-ei com vituperios candentes. Vi teus gestos de açúcar desmanchando-se em rimas brancas. Não fui poeta. 


Tardei em iniciar-me em teus mistérios, mas logo desfizemos os novelos. Chupei-lhe entre as coxas, e fui entrando por entre os pelos até os confins do teu cerebelo. Permuta, dúbia troca. Fluidos de magma na boca, derramados, ou num único jorro! Socorro! Salvem-me do meu espelho, que de olhar umbigos já me cansei; adoeci. 


Por baixo do algodão crescem corpos cavernosos: poesia ereta. Vinho barato, alma de prata. Nada combina. Verso branco não pode ter rima, mas a gente sublinha e sublima certas subversões. Somos sempre uma versão melhorada do lado negro. E no escuro, sabemo-nos distantes, mas nos tocamos. E gozamos desta missa, ócio, hóstia, nosso pão. Cãibras nas mãos, de tanto vai e vem. 


Amém!








[Parceria poética de Thauan Raposo e Marcelo Sousa.]

sábado, 2 de junho de 2012

L'ABÎME


Volonté d'arriver au côté de tout abîme et dire à l'infini: 
- Bientôt, je suis ici ! Ce que tu me dit? 

SILENT NIGHTS





In such nights, I use to lullaby myself playing 'Claire de Lune' on the piano and drinking cheap wine with Vicodin. Then, after hours, I let myself fall slowly into a deep sea of unconciousness, while my hands touch me on secret places, some of them in my body, most of them in my soul.

PRA VIDA INTEIRA


Menina de família
é como uma ilha deserta.
É a fonte de todas as delícias
e traz todas as malícias encobertas.

Se encontrares uma, que é coisa rara,
coma-lhe por trás, puxa-lhe o cabelo e estapeia o rosto.
E como bom poeta, goza-lhe na cara,
e no outro dia recita-lhe versos de bom gosto.

Se ela gostar, será sempre toda sua
pois saberá ser puta, princesa, bailarina e guerreira.
Esse tipo de criatura não se encontra por aí nas ruas:
é uma iguaria caríssima, que quererás ter pela vida inteira!

O NOME DA ROSA


As coisas tem um nome,
e em cada nome reside um mistério.
Cada letra é uma pétala de flor
e toda palavra traz em si o seu perfume.
Um lume de questionamento, um porquê
com gosto de pergunta já respondida.

A palavra maçã tem cheiro, e tem culpa,
porque traz a lembrança lendária,
no subconsciente o castigo mais gostoso
de Eva, que ofereu a Adão seu engodo:
a primeira mulher, primeira mãe, primeira puta
que jogou o homem para fora do paraíso,
depedendo apenas da sua força, do seu juízo,
para o sofrimento e a labuta.

O nome da rosa já denuncia a carga
de sentimentos que a palavra traz á tona
renovando-lhe a vida.
Respeite o nome da palavra,
saiba manuseá-la, prová-la,
sentir sua doçura e seu azedume.

De tudo podemos perder,
a vida, os deuses, a filosofia, a poesia,
são subterfúgios, pequenas mentiras,
mas o nome das coisas ninguém os tira!



Marcelo Sousa, in "Sortilégios", 2012.


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"Stat rosa pristina nomine,
nomina nuda tenemus."

Bernardo Morliacense, in "De Contemptu Mundi" no século XII. Livro 1, Verso 952.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

QUAL É SUA PALAVRA FAVORITA?




Palavras são todas bonitas, 
mesmo aquelas que em sua beleza estranha
tragam tacanhas imagens, muito aflitas.
Palavra é sábia como a coruja
que tudo sabe, mas só faz barulho quando quer.
Palavra é traiçoeira, é uma delícia;
palavra é bonita é a malícia da mulher!
É a malandragem, o samba, a corda bamba
em que a gente se equilibra.
Palavra é braseiro, que testa a fibra
deste povo bacana, sacana, brasileiro.
Palavra, delas há tantas, que nenhum dicionário
consegue deixá-las presas.
Há miríades de palavras, umas brilhantes outras precárias,
todas gregárias, herdeiras verdadeiras
desta Língua Portuguesa
e desta Fala Brasileira!


Tem palavra que apazigua
e palavra que irrita.
Tem palavra exangue, exígua,
e tem palavra de sangue ambíguo.
Tem anglicismos e galicismos a dar e vender
e tem palavra que é gelatina, pudim de leite
que a gente come devagar, com a colher.
Tem palavra feita para o nosso deleite
e outras que nos fazem sofrer.
Tem palavras que desafiam: lute!
Tem palavras que pedem: escute!
Existe palavra que é chicote
e matrata a carne e a alma da gente.
Tem palavrinhas que dão o bote
escondidas no meio das frases, como serpentes!


Mas palavra, é matéria-prima,
e voz viva que o espírito do poeta anima.
Religa, retém, clama, conclama, convém.
Toda palavra alimenta, e a maioria delas
faz muito bem! Palavra é vitamina
que sustenta o canto, a rima!
São tantas palavras airosas, 
com cheiro de cacto, 
com perfume de rosa, 
todas são maravilhosas!


Nosso idioma é lindo, infindo, 
dizê-lo é cantá-lo, ter zelo
pelas doces mazelas
desta língua moça, donzela,
que também pode ser bruta,
insinuante, puta, mãe de família,
poder ser tia-avó, pode ser filha,
matrona, matriarca, madre,
palavra comadre fuxiqueira,
palavra menina que dá a mão
e moçinha que dá o braço,
senhora respeitável,
Flor do Lácio, nosso laço,
tatuagem indelével, 
toda palavra
é insofismável!

domingo, 20 de maio de 2012

ASTÚCIA





À toda mulher sobra sempre muita astúcia.
Em alguns lugares elas tem pêlos,
n'outros, pelúcia!

#haikai

Marcelo Sousa, em "Sortilégios", 2012.

OPERÁRIO





Poesia é matéria divina. 
Não pode ser vendida ou comprada.
Aquele que se esconde atrás das rimas
deveria aprender que maiores versos são feitos
pelos operários, lavradores, os verdadeiros eleitos
poetas desta vida linda, feroz, tão temida quanto amada:
os versos mais perfeitos que eu já vi
foram feitos com o martelo e a enxada. 

Marcelo Sousa, in "O Semeador de Abismos" - 2011.

DUPLO


Seremos como Sartre e Simone,
ou como Harry e Hermione?
Seremos como Adão e Eva,
ou como a Luz e as Trevas?

Seremos como Caim e Abel,
ou como a Terra e o Céu?
Seremos como o Touro Negro e Dom Sebastião.
ou como o Cérebro, sempre soberbo, e o humilde Coração?

Talvez não venhamos a ser nada,
ou talvez eu seja o Crepúsculo e você a Alvorada.
Talvez seja possível, na mesma taça, servir tristeza e alegria,
ou nos enganamos sendo irmão gêmeos vestindo diferentes fantasias.

Talvez haja maior sabedoria contida
no ato de não querer saber.
Talvez as melhores coisas da vida
sejam aquelas que sabemos sem precisar aprender.

OS POETEIROS


Eu, meu, eu, meu, eu, meu...
Parece um mantra de uma estranha seita secreta.
Mas é pior: é o tema único e predileto 
de certo tipo de poeta!

Desculpem a franqueza, a indelicadeza, a falta de humor...
Mas essa gente que só escreve a mesma coisa e se diz poeta,
na verdade não faz poesia. O que fazem em público, sua atividade predileta,
chama-se PUNHETA!

Marcelo Sousa, in "TODO MUNDO É POETA!

domingo, 13 de maio de 2012

PRA VER O CIRCO PEGAR FOGO



De repente 
um passo adiante
parece um salto no trapézio
coisa fácil aos acrobatas
ou aos poetas, nefelibatas.

De repente a bailarina
que encanta com gestos mirabolantes
que parecem simples, feitos à toa,
desvenda suas garras,
e de mansinho,
fingindo ser gatinha
mostra-se uma leoa.

O poeta também não é bobo
pois é negro gato, homem simples e pacato
mas que foi amamentado e criado pelos lobos.
Ele conhece a elegância e também a malandragem
e caminha co malemolências, mas com os músculos hirtos
porque sabe que certas vezes pode ser apenas expectador
mas neste circo, onde tudo pode acontecer
pode ser que ele precise também ser o domador.

Quando tem platéia
os ferrões ficam prontos, ouve-se o zumbido
porque os "de fora" são como vespas, abelhas,
que se excitam e ficam iradas com nossos gemidos.
O poeta treme, com medo e excitação.
O domador parte para cima, ereto, com seu bastão.
Que espetáculo maravilhoso, que perigosa esta dança
em que a leoa tenta enganar com seus ataques
fazendo do poeta-domador uma criança.

Na arquibancada há aplausos
e muitos querem ver o circo pegar fogo.
O poeta com o bastão ereto de domador
e o domador com a caneta, feito um bobo.
Ambos são um só, decididos a morrer à toa
engolidos, destroçados pelas garras de sua amada leoa.

A maravilha desta condição
é que o picadeiro, o palco, a ribalta
ficam exatamente e estrategicamente no coração.
E neste circo dono não há, e a entrada é de graça
porque peito aberto, portões escancarados, convidam
ao respeitável público, ou talvez um espetáculo particular
que bailarina e poeta, leoa e domador, irão apresentar:
a difícil arte de incondicionalmente amar!

- Parceria insone e poética entre Márcia DrumondThamar De Araújo Gaiser e Marcelo Sousa. Nosso primeiro ménage-à-trois, poético, é claro! Rs rs rs...

QUANTAS PONTAS TEM AS ESTRELAS?



Não sei quantas são.
E será que são bolinhas ou tem pontas?
E se forem adornos dos deuses?
E se forem colares de contas?
E se são abelhas em chamas
ou simples mariposas brancas 
voando tontas?

Houve quem as tentasse contar
e até poetas capazes de ouvir estrelas.
Eu, que sou bronco, sou do interior de mim mesmo
não julgo saber muita coisa delas.
Sei que brilham à noite porque são necessárias
porque a Senhora Lua as acende como velas
e de manhã vem o Senhor Sol e sopra várias
porque à luz do dia não é mais preciso tê-las.

E são tão brilhantes, e tão belas
que nossa vontade é estender as mãos
e catá-las uma a uma, e retê-las
como crianças que pegam vaga-lumes:
assim são os que amam, tudo lhes é belo
e o mais ponto de luz no céu mais singelo
já é desculpa pra iluminar seu interno negrume
porque amantes são bobos, e temos que os desculpar
pois quem ama tem a necessidade natural de brilhar!

- Parceria poética de Thamar de Araújo e Marcelo Sousa.

FAREWELL, ADIEU



E depois de tanto tempo, mãezinha,
descobri o quanto pesava a luz dos olhos teus.
Mas era tarde demais, pobre poeta, criança sozinha
que não teve tempo de sequer dizer adeus.

Marcelo Sousa, Cadernos Particulares.

ÉS POEMA




Acolhendo no âmago arfante
a alma nascente de outra gente
que do fundo da tua escuridão 
vêem a luz, vem à luz
e partem para o mundo
com a cara boba de quem chega
numa festa em que ninguém foi convidado:
nós, meninos e meninas, chorando,
condenados que somos a depois sorrir
enganados achando ser eterno o existir.


Oh enganosa paisagem 
que seduz, que chama e busca
com a mão brusca de deus
arrancando da terra o fruto
e a gente nasce, já de luto
porque é certa a labuta
não é fácil, não há ócio
para os filhos da santa
nem para os filhos da puta.


Ninguém contou a você
que a gente simplesmente nasce
e você nem nos avisa, não conta, 
não prepara a hora, e num repente 
que escorre entre os dedos da gente
você vai embora, sai de cena
deixando o poeta aqui só (que dó!)
porque é preciso largar a pena
e aceitar o ponto final e perverso:
enquanto a gente ainda é verso
mãe já é completa, mãe é poema.

sábado, 12 de maio de 2012

O PESO DA LUZ


Mar, imenso e insidioso mar,
colcha de chumbo derretido
que nunca se cala, não cansa de cantar:
teu latim de pedras azuis
parece que canta só para mim
as canções de ninar
que minha mãezinha lá no céu
já se esqueceu.
Ouço, oceano, e transbordo
de saudades daqueles anos
que não vivi.
Em vão descobri
cicatrizes de poemas
que jamais virão á luz.
Não choro.
Não canto salmos.
Não bato palmas.
O Gólgota está vazio.
A noite rasgada de estrelas frias
já não me seduz.
Perdi a paciência, a inocência,
e pouco a pouco meus olhos
perderam sua luz.
Na ampulheta das minhas veias
meu sangue, como areia
vai escorregando.
Deus não está mais olhando.
O Gólgota está vazio.
Não fará mal jogar pedras na cruz.
Ontem sonhei que tudo isso era um sonho
e eu acordava risonho
quando minha mãezinha
vinha acender a luz!



- Trecho do poema "MARE TRANQUILITATIS" que acabou sendo ampliado, no meio de uma noite interminável.

(E a luz, vai ficar sempre acesa no coração. Porque saudade pesa, mas a luz não.)

terça-feira, 8 de maio de 2012

CAMINHANDO









Quantos sorrisos não recebemos por medo de sorrir primeiro. Quantos carinhos o tempo apaga porque a tua mão não teve a coragem de ser a mão que afaga. Quantos amigos, quantos amores você perdeu por que escolheu rogar praga, quando poderia ter pedido desculpas, quando poderia ter dito um simples "obrigado". Quanto mar, quantas ondas, quantos horizontes ficaram para trás, porque você não aprendeu a nadar, com medo de que o oceano te levasse embora a vida, quando viver, no fim das contas, é estar sempre de partida. Quantas coisas perdemos por medo de perder, quantas coisas não somos por que estamos apenas fingindo ser. Por que o que vive de verdade simplesmente acorda e vai vivendo, enquanto quem fica parado na vida, é o que acorda, senta na cama e fica pensando, pensando, pensando, e morrendo.


OLHOS DE FACA





Na noite muito densa
precisei respirar areias em tempestade
e fechar os olhos e deixar me guiar a saudade
porque já me acostumei a respirar fogo
e saltar muros e brincar com os lobos
e escapar de becos escuros
e esconder meus caninos
e fingir-me de bobo.
Na noite muito densa
fui ganhando caminho
sozinho como quem não pensa
em cair em armadilha
ou pisar qualquer alçapão.
Eu adentrei teu quarto
e esperto, com olhos de faca
joguei-me sobre o teu leito
e deixei minhas lâminas descansarem
nas profundezas do teu peito.





- Parceria poética de Thamar de Araújo e Marcelo Sousa.


sexta-feira, 27 de abril de 2012

O AMOR É FODA




O amor, sábio senhor, com regra, estatuto e contrato,
é um negócio muito, muito, muito chato.
Aquele amor que a gente chama de relacionamento aberto
é muito mais gostoso, mais malandro, mais esperto.


O negócio é o seguinte, o coração segue reto
mas a carne, esta sempre atalha.
Corre amor verdadeiro nas veias e sob nosso teto,
mas à flor da pele é propício ser um bom canalha.


Ama, segue o bom conselho:
ama incondicionalmente com a alma, de joelhos.
Mas com o corpo, seja liberto, porque a alma não poda
aquele seu grande amor, ou aquela sua belíssima foda!


Certas vezes acontece de serem diferentes
os corpos e as almas que amamos.
Peço perdão pelo comentário irreverente,
mas a verdade é pra ser dita, convenhamos.


Amar é um fato 
que sobrepuja a configuração dos átomos.
Já o sexo, o bom sexo,
elide e ilude a necessidade de nexo.



QUID PRO QUOD



A mão que lava a outra, de outrem,
e a culpa rolando nos trilhos anuncia: ele vem!
Com a barriga de metal cheia de culpados,
o abdômen do bonde enfastiado!

Lava minha mão que eu lavo a tua!
Mas e o cheiro bom do pecado não desencrua.
Quero saber da tua vida, tua espinhela caída.
Já sei a hora da chegada, falta-me a da despedida!

Desmesuro-me, por ser anão
tendo o mundo na palma da mão!
Sou pequeno, comungo com os deuses,
mas só ao apagar das luzes!

Quer saber da minha vida passada?
Nem eu sei se o que passou é da minha alçada.
Meus ossos ignoram (bendita ossada) o que a carne
traz de mágoa e bendizer. A carne não promulga o cerne!

Não acho tua mão, mas teu peito faz barulho no escuro
e tudo é fastio e tesão por trás desses muros.
Quiprocó, dizem os corpos, pedindo recíproco deleite:
mas quem tem a alma maior que o corpo, observa apenas, como enfeite.

Vê círculos, auréolas, todo circo precisa de um palhaço
mas se não tenho tintas pra pintar meu rosto, como faço?
Serei domador de leões, desafiarei de peito nu todas as feras
enquanto a menina bonita na platéia pela tragédia espera?

Não te encontro, onde estás que não te vejo?
Galante domador de corações, palavras e desejos...
Minhas orações são para ti, pecador
porque quero pecar junto, com ardor!

Com ardor, com amor
mas devagar com o andor!
Deve ser como a primeira vez que se anda de bicicleta
subir ao picadeiro, estar entregue à mãos firmes do poeta!

Quiprocó, minha querida,
pois disso dependerá nossa vida.
Te contarei baixinho nos ouvidos os meus truques
e tu ouvirás os cantos gregorianos e os africanos batuques.

A mão sozinha não se lava, só leva
de um lado para o outro o facho de luz que será logo treva.
Lava minha mão que eu lavo a tua: façamos o quiprocó
antes que o laço do tempo puxe a corda e dê um nó!



- Poesia colaborativa de Marcelo Sousa e Thauan Raposo.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

UM COPO DE CÉU CHEIO DE MAR



De sorrisos e lágrimas,
de imprecisos azuis e coruscantes magmas,
fizemos ninhos nos sonhos uns dos outros
onde a eternidade, esse piscar de olhos, ainda é pouco
porque minh'alma transborda quando encontra o seu olhar:
Ah, que lindo copo de céu cheio de mar!





[Poesia colaborativa de Lucio Carvalho, Thamar de Araújo e Marcelo Sousa.]