Permite a permuta, dúbia troca. Caldeira cama, abrasava falha, pele crua tosta, braço curvo, gemido tropeço, olho umbigo, mágico e restrito. Afunila tua inércia, não segreda tua paz, não confessa tua luz. Não engana. Traga, venha. Vem a ter aqui, por baixo do algodão, deslizo melhor sem fome. Vinho barato, alma barata? Insetos cãibra...
E por todo lugar encontro um encaixe, e sigo debaixo de chuva, de aceso facho, borracho à caça de vulvas. E não me venha com filipetas, pois apostrofá-lo-ei com vituperios candentes. Vi teus gestos de açúcar desmanchando-se em rimas brancas. Não fui poeta.
Tardei em iniciar-me em teus mistérios, mas logo desfizemos os novelos. Chupei-lhe entre as coxas, e fui entrando por entre os pelos até os confins do teu cerebelo. Permuta, dúbia troca. Fluidos de magma na boca, derramados, ou num único jorro! Socorro! Salvem-me do meu espelho, que de olhar umbigos já me cansei; adoeci.
Por baixo do algodão crescem corpos cavernosos: poesia ereta. Vinho barato, alma de prata. Nada combina. Verso branco não pode ter rima, mas a gente sublinha e sublima certas subversões. Somos sempre uma versão melhorada do lado negro. E no escuro, sabemo-nos distantes, mas nos tocamos. E gozamos desta missa, ócio, hóstia, nosso pão. Cãibras nas mãos, de tanto vai e vem.
Amém!
[Parceria poética de Thauan Raposo e Marcelo Sousa.]



















